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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Listão dos inimigos públicos nº 1 de Lula, que querem 'acabar com a raça' dele

O TEXTO É MEIO RADICAL, MAS VERDADEIRO, TAMBÉM ASSINO EM BAIXO.

TENHO FICADO INDIGNADO COM A REPERCUSSÃO E COMENTÁRIOS EM SITES DE NOTICIAS, O SENTIMENTO ANTI-LULA POR PARTE DE INTERNAUTAS DE ULTRA DIREITA QUE PREFEREM DEFENDER O OBVIO BANDIDO DE TOGA QUERENDO ARRUMAR UMA TABUA DE SALVAÇÃO, PORQUE ESTÁ ATOLADO ATÉ O PESCOÇO PREFEREM ATACAR O LULA QUE DA POSIÇÃO QUE ESTÁ NA POLÍTICA SÓ PODE DAR PALPITE PORQUE ORDEM QUEM DÁ É A DILMA E NEM ISTO ESTÃO QUERENDO PERMITIR.

Se dependesse desses políticos e partidos abaixo, o lugar de Lula seria aprisionado numa cela e incomunicável com o povo, igual ficou Nelson Mandela na África Sul por 27 anos.
PSDB, DEM, PPS, o PSOL, e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) usaram a torpeza de moveram ação com a finalidade de "acabar com a raça" de Lula no tapetão do judiciário, usando uma "reporcagem" torpe da revista Veja, alavancada por Gilmar Mendes, para fazer uma espécie de AI-5 contra Lula.
A lista dos inimigos públicos nº 1 de Lula, que querem 'acabar com a raça' dele:
Assinaram a representação torpe para cassar e aprisionar Lula:
Alvaro Dias e o deputado Bruno Araújo e Mendes Thame, assinando por todos do PSDB;
José Agripino Maia, assinando por todos do DEM;
Rubens Bueno, assinando por todos do PPS;
Randolfe Rodrigues, assinando todos do PSOL;
Jarbas Vasconcelos, assinando só por ele mesmo, dissidente do PMDB
Os líderes dos partidos representaram seus caciques, que endossaram a trama:
Aécio Neves (PSDB-MG)
José Serra (PSDB-SP)
ACM Neto (DEM-BA)
Soninha Francine (PPS-SP)
Beto Richa (PSDB-PR)
Simão Jatene (PSDB-PA)
Siqueira Campos (PSDB-TO)
Anchieta Junior (PSDB-RR)
Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL)
Geraldo Alckmin (PSDB-SP)
Anastasia (PSDB-MG)
Marconi Perillo (PSDB-GO)
Duarte Nogueira (PSDB-SP)
Antonio Carlos Leréia (PSDB-GO)
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
etc.
e todos os demais membros do PSDB, DEM, PPS e PSOL que não se manifestaram publicamente contra essa torpeza de golpismo safado e sem-vergonha.
E não adianta quererem negar, porque quem não teve coragem de assinar, também não deu um pio contra o docuento, pelo contrário, o PSDB até emitiu nota oficial falando em nome do partido e da oposição.
Todos políticos destes partidos estão no mesmo barco dos que querem 'acabar com a raça' de Lula de maneira torpe.
Eis o AI-5 demotucano e psolista contra Lula:

http://s.conjur.com.br/dl/representacao-oposicao-ex-presidente1.doc

Se queriam jogar para a platéia, 190 milhões de brasileiros da "platéia" vão ficar sabendo quem quer cassar e aprisionar Lula em conluio com a revista Veja, ligada ao bicheiro Cachoeira.
Vamos espalhar para todo mundo.
Vamos todos registrar na nossa listinha para nunca mais esquecer esses nomes e essas siglas que são inimigos públicos nº 1 de Lula e de lulistas.
Quem gosta de Lula, que digam um NÃO a esses nomes e siglas, na hora que vierem sorrir na TV ou dar tapinha nas costas pedindo voto. Quem não gosta de Lula que sigam esses golpistas e suas tropas da elite arcaica de Veja, Globo, Folha, Estadão, Gilmar.
Quem gosta de Lula, que vote em quem não quer acabar com a raça dele.
E não adianta depois virem pedir "desculpas" como fez ACM Neto quando disse que daria uma "surra" em Lula, pois ele é reincidente, quando o presidente de seu partido assina esse lixo.
Nem adianta vir dizer que não é bem assim, que "é as idéias que brigam", como fala Aécio Neves em público, mas age traiçoeiramente desta forma nos bastidores, como uma cascavel venenosa, pois seus líderes Álvaros Dias e Bruno Araújo assinaram esse lixo, e seu afilhado político Rodrigo de Castro (PSDB-MG) assinou nota à imprensa comunicando esse lixo em nome do partido.

Aécio Neves endossa "acabar com a raça de Lula"

Também não venham fazer propaganda enganosa, durante a campanha eleitoral, dizendo que são amigos de Lula desde criancinha, como a campanha de José Serra quis fazer em 2010.
E nem venham dizer que fazem "oposição responsável" como José Agripino Maia, que nada tem de responsável querer cassar Lula com base em "reporcagens" da revista Veja.
Adversários políticos podem ser respeitáveis, quando travam um debate franco e de peito aberto, por mais duro que seja. Há gente do PSOL, por exemplo, que era assim. Mas a assinatura de Randolfe Rodrigues nesse lixo, desmoraliza todo o partido.
Quando os projetos e ideologias brigam com efervescência, causa até admiração em adversários, mesmo com discordâncias. Até denúncias sérias são respeitáveis, pois a vida republicana precisa de constante depuração. Mas golpismos sem-vergonha só merecem repúdio, e nos fazem descartar até mesmo como segunda opção política, em casos de segundo turno.
Os demotucanos (incluindo os do PSOL) levam surra nas urnas, e querem dar o golpe no tapetão do judiciário, para acabar com a raça do presidente Lula e de seu legado.
Avisem aos demotucanos que a ditadura já acabou
Lula já ficou preso mais de um mês, na ditadura, pela afronta de se rebelar contra o arrocho salarial aos trabalhadores, para engordar os lucros de multinacionais remetidos para o exterior ou de empresários ricaços brasileiros que usavam a máquina repressiva da ditadura para explorar o trabalhador.
Dilma também já ficou presa na ditadura por rebelar-se contra a repressão a qualquer manifestação política nas ruas ou em partidos que desagradasse os ditadores e seus puxa-sacos como José Agripino Maia e o avô de ACM Neto.
Nenhum destes demotucanos e psolistas tem sequer moral para atacar Lula, ainda mais em defesa da revista Veja e do ministro do STF Gilmar Mendes.
Fizeram as suas escolhas e escolheram ficar do lado de Gilmar Mendes, Veja e Cachoeira. Que fiquem com eles.

 

Por:Zé Augusto

http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

PREVISÕES DE FIM DE MUNDO NÃO CONCRETIZADAS EM 2011

Miriam Leitão previu saldo de US$ 3 bi na balança comercial, mas foi 10 vezes maior

Há um ano atrás, em 9 de dezembro de 2010, madame Miriam Leitão previu US$ 3 bilhões de saldo na balança comercial para 2011.
Fechadas as contas deste ano, o valor foi R$ 29,8 bilhões, ou seja, 10 vezes mais do que previu a maior "especialista" em economia da TV Globo.
Vai chutar torto e fora assim, lá onde o vento faz a curva.

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/12/09/impasses-do-bc-348065.asp

É por essas e por outras, que a TV Globo e seu jornalão deveriam assumir de vez o tipo de "jornalismo" que praticam.

Que tal madame Leitão passar a aparecer no "Bom dia, Brasil" com roupa de cigana e com uma bola de cristal na frente? Seria mais realista e daria mais credibilidade.
O William Bonner poderia usar um nariz de pinóquio. Assim todo mundo entenderia o espírito da coisa e ninguém levaria a sério quando ele quisesse dizer que uma bolinha de papel era uma fita crepe gigante de 5kg.
"Bill" Waack poderia narrar no seu idioma oficial (o inglês) e aparecer legendas em português no telejornal.

FONTE: http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Serra + PSDB = Retrocesso Social





O PSDB e Serra promoveram no Brasil o maior retrocesso social já visto, principalmente com relação aos aposentados e pensionistas. Pior que agora, aparece o “Santo Serra” falando em aumento no salário mínimo e aumento nas aposentadorias. Oras, mostrem o que ele e o PSDB já fizeram pelos aposentados, ou melhor, para todos, pois todos, um dia, seremos aposentados.

Conheça a verdade dos fatos

- PSDB desvinculou o aumento das aposentadorias ao aumento do salário mínimo. Hoje, vemos pessoas de idade avançada vivendo envergonhadas e indignadas por receberem tão pouco pelos tantos anos de serviços prestados ao país;

- PSDB, através da Lei 9032/95 acabou com o pecúlio que era um valor que aposentados que continuavam a trabalhar poderiam sacar, pois continuavam contribuindo obrigatoriamente para a previdência. Com essa mudança, cometeram o “crime” de criar um artigo de lei que diz: “o aposentado que voltar ou continuar trabalhando não receberá prestação alguma da Previdência” (em resumo, não receberá merda nenhuma);

- PSDB criou o Fator Previdenciário. como se não bastasse humilhar, pisotear e rir da cara dos aposentados, o PSDB criou o tão falado Fator Previdenciário, para que aqueles que ainda não haviam se aposentado, quando o fizessem, ou, pior ainda, quando o fizerem possam sofrer a mesma humilhação
Lembremos que muitos de nós vamos nos aposentar um dia.

- PSDB tem projeto para acabar com 13º. Salário, 1/3 de férias e outras conquistas sociais do trabalhador. Pode até parecer invenção, mas não é. É isso mesmo...retrocesso social.

- PSDB deixou a Lula a maior taxa de desemprego que esse país já viu;

- PSDB deixou a Lula a maior taxa de juros bancários que esse país já viu...nem em épocas de inflação as taxas eram superiores a dois pontos acima da inflação;

- PSDB deixou a Lula a maior dívida interna já vista no país;

- PSDB deixou a Lula a maior dívida externa já vista no país;

- Enquanto o PSDB esteve no governo, o povo sonhava que um dia o salário mínimo seria de U$ 100,00 (dólares), hoje é de U$ 300,00 (dólares) e ninguém reconhece;

Lembremos que o Serra sempre foi ministro de alguma pasta do governo FHC.

Enquanto isso, Lula, com toda sua “incompetência”, fez (e isso ninguém pode negar), o seguinte:

1) Redução da Taxa Selic de 25% ao ano para 14,75% ao ano e que continuará em queda:

2) Redução da Taxa de Inflação de 12,5% em 2002 (IPCA) para 4% nos últimos 12 meses (IPCA);

3) Aumento das exportações de US$ 60 bilhões, em 2002, para US$ 128 bilhões nos últimos 12 meses, crescendo 113%;

4) Maior aumento Real do salário mínimo, de 75% contra uma inflação acumulada de apenas 26%, que tem o maior poder de compra dos últimos 24 anos, segundo o Dieese;

5) Superávit comercial acumulado de US$ 129 bilhões, contra um déficit comercial de US$ 8,7 Bilhões em 8 anos de governo FHC;

6) Redução da Dívida Externa de US$ 210 bilhões, em 2002, para US$ 157 bilhões em 2006;

7) Superávit em transações correntes de US$ 33 bilhões durante o governo Lula, contra um déficit em transações correntes de US$ 186 bilhões durante o governo FHC;

8) O maior número de ações da Polícia Federal de toda sua história, prendendo mais de 3000 pessoas envolvidas em todo o tipo de crime (corrupção, sonegação de impostos, contrabando, tráfico de armas, etc);

9) criação do ProUni, permitindo que mais de 240 mil estudantes carentes possam cursar uma Faculdade;

10) Criação do Bolsa-Família, programa social de transferência de renda fortemente elogiado pelo ONU, FMI e Banco Mundial, entre outros, que o consideram como exemplo a ser seguido por outros países emergentes;

11) Acúmulo de sucessivos lucros recordes pela Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES;

12) criação do programa de crédito consignado, com taxas redudidas, bem inferiores à do mercado, que permitiu que milhões de pessoas pudessem pagar dívidas do cheque especial, cartão de crédito, que cobram juros muito mais elevados;

13) criação do programa de micro-crédito e de inclusão bancária, beneficiando vários milhões correntistas de baixo poder aquisitivo, que antes não tinham acesso à conta corrente;

14) Crescimento econômico acumulado de 7,3% em 2004/2005, resultando num aumento de 5% na renda per capita do país em 2 anos.

15) Redução da Relação Dívida/PIB de 55,5%, em 2002, para 50,3% do PIB em 2006;

16) Aumento da produção industrial em 11% entre 2003/2005;

17) subida do Brasil no ranking das maiores economias do mundo, da 15a. posição em 2002 para a 11a. posição em 2005, com o PIB subindo de US$ 459 bilhões, em 2002, para US$ 795 bilhões em 2005;

18) Queda do Risco-País de 1500 pontos, no final de 2002, para apenas 205 pontos em 2006, chegando ao menor nível da História;

19) Queda da taxa de desemprego de 11,6% em Junho de 2002 para 10,4% em Junho de 2006;

20) Redução de impostos para bens de capital (máquinas e equipamentos), micros e pequenas empresas (reajustando a tabela do Simples em 100%), para negociação de imóveis, materiais de construção civil, computadores pessoais (hardware e software);

21) reajuste da tabela do Imposto de Renda em 18% em 4 anos, contra apenas 17,5% em 8 anos de governo FHC;

22) 6 milhões de pessoas subiram para a classe média, melhorando suas condições de vida;

23) redução da miséria para o menor patamar desde 1992, caindo de 27,26% do total em 2003 para 25,08% do total em 2004.

24) Criação de mais de 4,5 milhões de empregos formais;

25) retomada da indústria naval, que recebeu investimentos de R$ 1,5 bilhão do Governo Federal entre 2003/2005.

26) As reservas internacionais líquidas subiram de US$ 16 bilhões, em 2002, para US$ 69 Bilhões, atualmente;

27) Aumentou a participação do Brasil no total das exportações mundiais, que passou de 0,96%, em 2002, para 1,14% em 2005, pois as exportações brasileiras cresceram muito mais do que as exportações mundiais. Enquanto isso, no governo FHC, as exportações brasileiras perderam espaço nas exportações mundiais, caindo de 1,04% do total, em 1994, para apenas 0,96% do total em 2002, pois as exportações brasileiras cresceram muito menos do que as exportações mundiais.

Enquanto isso, o “pau mandado” do Arnaldo Jabor, anti Lula declarado, fica arrancando seus poucos cabelos vendo a subida da Dilma e a queda do retrógrado PSDB.Por Luiz Baldini - Leitor do blog

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

AS OPINIÕES CONVERGENTES




Estava ficando preocupado com a enxurrada de spam na rede difamando a Dilma e navegando na net encontrei este texo que postei abaixo que me inspirou a escrever minha opinião sobre este tema eleitoral e o poder da midia no brasil. 
Compreendo este sentimento de atacar reputações, pois já militei politicamente em coordenação de campanha, mas nunca vi uma guerra como esta., brasileiros são pacíficos e tolerantes por natureza.  
No Brasil os poderes instituídos são três o legislativo, executivo e judiciário e no Brasil real existe o quarto poder que é o midiático ao qual nas ultimas décadas adquiriu um status de guardião da moral e dos homens bons, com um poder real de criar reputações e destruí-las com menos de 30 segundos, a diferença basica é que o cargo de chefe é da familia onde nem sempre o melhor preparado senta da cadeira, como exemplo a famila frias da folha de são paulo.
Acho que todos tem direito ao sucesso, não sou contra os grandes meios de comunicação, gosto de novela da globo e de outros programas e das revistas semanais menos da veja ao qual tenho repulsa a mais de 10 anos, o que sempre defendi é a democratização das comunicações acesso a transmissão ter o direito de ser ouvido, as regras existentes não são as ideais precisa de mudança urgente o brasil precisa ter informação mais regional independente começar a criar conteúdo e nestas regras é impossível ter uma TV local ou mesmo regional.
Mas este debate não interessa ao quarto poder, porque dividir o bolo se ele é somente meu. Este é o pensamento da globo e faz uma pressão intensa nos três poderes ameaçando suas reputações se ousarem tocar no assunto.
Isto aconteceu esta semana quando o presidente Lula em discurso de campanha reclamou e afirmou que a mídia está informando mal a população que ele foi perseguido pela mídia nativa de tal forma que passou a ser conhecida como PIG(Partido da Imprensa Golpista- citação de Paulo Henrique Amorim), está sendo atacado pela mídia paulista de querer cercear a liberdade deles de criticar o governo, concordo que eles tem todo direito de criticar quem eles quiserem, sempre baseado no principio da ética jornalistica que é publicar a verdade e não construí-la, mas também as pessoas criticadas tem que ter o direito de defesa garantido nas leis e o lula tem todo o direito de criticar quem ele quiser ou o lula por ser presidente fica proibido ter qualquer opinião divergente da pauta colocada pela mídia, tem que apanhar calado, que democracia é esta defendida que só de um lado só tem direitos e do outro somente deveres (eu e 98% da população).
A grande frase que mais vi até agora nos sites do PIG é "Estão querendo cercear a liberdade de expressão, censurar a imprensa" e isto vale ate para jornalistas que ousaram questionar os chefes das famílias e isto acabou que que está sendo muito bom para o Brasil que pela internet criaram suas próprias estações de noticias multimídia como o Azenha, Paulo Henrique, Nassif, Rodrigo Viana só para citar alguns, que no meu ver estão se tornando os generais desta grande batalha que vai acontecer por estes dias e como soldado faço parte desta batalha como participante dos blogueiros Sujos segundo o serra ou como prefiro blogueiros independentes que criam um contra ponto as matérias que circulam na rede, o que não tem agradado a quem não suporta ser questionado que é o caso do serra, da folha, da globo...


Como arma principal neste momento e tentar implantar o medo o terror e conseguir muitos soldados kamikases e homens bomba para a linha de frente e principalmente pautar o assunto do dia de preferencia criando um novo escândalo se possível com uma pilha de dinheiro porque pilha de dinheiro sempre funciona, esta é a pauta da semana que vem reta final da eleição.
Então qualquer um que criticar ou sequer questionar o PIG corre o risco de sua reputação desconstruída num piscar e olhos, então o PIG criou uma lei como legislador “è proibido criticar ou questionar o PIG, isto atenta contra o direito de liberdade de expressão e a democracia brasileira, sabemos o que bom para vocês e o Brasil".
Forças dos dois lados estão se movimentando quantas mentiras lançadas na biografia da Dilma e a inocência das pessoas em acreditar nela e a mídia ao invés de informar a verdade ( o que não significa defender) reforça colocando mais duvidas e instigando movimentos diversos em uma marcha de intolerância de classes e  isto não é bom, a história nos prova que o resultado desta atitude para manter o poder é trágico e sangrento e somos de paz, construída com muito sacrifício, não podemos cair nesta conversa que só interessa a este grupo para se manter no poder (que a meu ver não está atendendo a demanda de informação atual que é a imparcialidade ou assumir sua posição abertamente, a verdade acima de tudo).
Concluindo sou a favor da democracia da liberdade de imprensa e acredito que quem produzir um bom conteúdo tem lugar no mercado e direito de transmiti-lo e quem não quiser assistir mude de canal.
Executando meu direito de liberdade de expressão adquirido constitucionalmente pelas leis brasileiras de criticar os grandes meios de comunicação, sem que isto seja um atentado a liberdade de imprensa.
Denilson Bramusse

Chega de Manipulação
 

Alice no país das Más-cartilhas e outros contos mirabolantes.

GOSTEI DO TEXTO E REPUBLICO AQUI NO BLOG
ACIMA UM TEXTO MEU INSPIRADO NELE.  

 Ontem, minha amiga Rosaline me enviou uma mensagem onde me convocava: “Lucio, fiquei sabendo que você escreveu sobre isso”. Ela se referia a um e-mail em massa de intensa circulação que explica, de forma pretensamente articulada e pessoal, como a candidata à presidência Dilma Roussef estaria impedida de entrar em países importantes como os Estados Unidos. O texto usa argumentos rasos como “A pena é bem grande e não há como pensar em liberdade condicional. Lá o crime não prescreve!”

Na verdade, já havia postado alguns comentários sobre esse assunto no Facebook, mas a Rosa me motivou a tentar desenvolver a questão, após constatar que o ocorrido acima representa com precisão uma queixa comum, embora incoerente, de muitos brasileiros.

Uma das reclamações freqüentes que leio em redes sociais e outras páginas com comentários online é que “o povo brasileiro é muito mal-informado e, por isso, escolhe mal os seus representantes”. Nas entrelinhas ou mesmo de forma explícita descrevem esse povo como sendo as “massas de baixa renda”, aqueles com “baixa escolaridade” e/ou outros brasileiros de “extirpes” que não os “sulistas”, os “sudestinos” e, quiçá, os “centro-oestistas”.

Para desconsiderar a propriedade de certos argumentos e eleger outras noções mais generalizadas como aquelas que vão estimar e defender, esses “reclamões” se embasam em fugazes premissas:

- Primeiro, no valor de seu feito educacional, isto é, terem passado pela universidade – não se importando com que afinco se dedicaram à aquisição das informações disponíveis enquanto estavam lá.

- Depois se apóiam no seu “conhecimento maior” do mundo, estabelecido por seu acesso à Internet, aos canais de TV a cabo, a um cruzeiro pela costa, ou roteiros turísticos pelos pontos ícones das capitais européias. Também é comum dizerem “porque a gente sabe o que é bom”. Às vezes, o que julgam enobrecer sua visão de discernimento é ter (tido) acesso à companhia social da elite e usufruir de serviços requintados destinados a ela, como festas regadas a algum bom e caro espumante francês. Esses contatos e experiências exclusivas, em seu julgamento, por si só aumentam muito a sabedoria, pois “o povo não sabe o que é bom.”

- E finalmente, mas não menos importante, fundamentam seu juízo nas manchetes jornalísticas. Essas últimas, sim, lastram a sua auto-estima e confiabilidade em relação ao seu “estado” de pessoas bem-informadas. Porque, para a maioria delas, a informação é um estado das coisas; troca-se dinamismo por “status.”

Então, ter lido o cabeçalho do e-mail ‘amigo’, a manchete da ‘acreditada’ Folha, a capa da ‘tradicional’ Veja e ter ouvido algo pela voz do ‘bonzinho’ William Bonner enquanto se cruzava a sala são circunstâncias suficientes para que uma grande parcela dos zangados se considere mais bem informada que o “povão”. Aqui é bom lembrar que argumentos produzidos por ídolos e celebridades da TV, do esporte e da música se tornam tão preciosos para adequarem sua opinião quanto para sedimentarem suas crenças frágeis e incipientes. Se essas celebridades são bem-informadas e coerentes não lhes importam. Sucesso financeiro e acolhimento pela elite midiática são geralmente suficientes para se ganhar credibilidade.

E que diabos então seria esse “senso crítico” de que sentem falta no “povo”? O ‘senso crítico’ estatutário que se ganha ao nascer em degraus acima da média da classe média? De ter percorrido os níveis de um curso superior ou ter passado algumas vezes em um museu de arte, durante o coquetel? De saber o que está na moda e quando o chique vira brega e o brega se torna chique? Que se ganha ao entender a piada daquele ‘inteligente’ programa de humor, sem notar o quanto é anacrônico e preconceituoso? Que se ganha ao olhar o Brasil em direção ao mar “exageradamente próximo” da África, mas tão distante da Flórida e Europa recreativas?

Onde está o “senso crítico” de quem, mesmo com todo o acesso à informação, estaciona na superfície e mostra sua hipócrita indignação com os desinformados? Que não verifica os fatos, as versões, as fontes, os motivos e nem olham para si antes de dizer: “como os brasileiros são burros”? Que clamam por educação para os outros sem usar, desenvolver ou articular a sua própria?

Nesta época de eleições, onde uma investigação ainda mais profunda e honesta das informações se faz necessária, o que mais tenho visto são opiniões caprichosas e pueris tais como “não vou com a cara dela”. Vontades frívolas e antipatias obscuras – que desconsideram as possibilidades de ganhos coletivos – disparam opiniões de ódio e aversão, replicadas pela mídia e pelas redes sociais. Não se avança argumentos; vocifera-se xingamentos, rótulos ofensivos e clichês grosseiros criados astutamente para dar aos incautos um sensação de razão e discernimento.

Através do próprio desengajamento que criticam em outros – geralmente afirmando “detestar política” – esses “protestantes” permitem se afiliar a uma cultura de “meio-informados” e “medíocres”, vítimas de uma parte onipresente da grande mídia, manipuladora e igualmente caprichosa que há muito perdeu seu sentido e usa factóides e leviandade para tentar promover sua informação estatutária, base de seu poder e de suas prerrogativas. Dessa forma, a mídia macarthista consegue usar esses asseclas como zumbis para avançar seus interesses que, no fundo, beneficiam pessoas e grupos poderosos que vêm perdendo muitos de seus privilégios e exclusividade em um sistema que busca ser mais justo e plural.

Desse modo, um exército de “seguidores de um jornal só” se alimenta e propaga noções infantis, simplistas e deturpadas como as de “indignados versus corruptores”, “anjos versus demônios”, “amigos dos EUA versus amigos do Irã” e “letrados versus analfabetos”. E onde está o senso crítico para perceber a ingenuidade em acreditar que a oposição, com essa onda de denúncias de última hora e amparada pela mídia voraz do “bonde-andando”, somente quer acabar com a corrupção? E cadê a perspicácia para notar a atitude maniqueísta onde a corrupção é só problema do outro? Se a oposição estivesse realmente interessada em acabar com a corrupção teria ido até os extremos em denúncias e inquéritos passados. (E, conseqüentemente, teria chegado ao poder.) Mas só foi até o ponto onde recebeu sua própria intimação quando, então, preferiu se solidarizar com os acusados, por complacência originária de coleguismo e empatia, mas vulgarmente conhecida como “rabo-preso”. Já em relação à mídia que, nesse caso, diz lutar contra a corrupção, deveria trocar o ineditismo por um acompanhamento mais longo, claro e consistente e ser corajosa o suficiente para dizer qual é o seu motivo.

Aqui gostaria de abrir parênteses e dizer o que penso sobre a eliminação da corrupção em um país como o Brasil. Compartilho de uma visão pragmática sobre a eliminação da corrupção de que nenhum líder pode simplesmente aboli-la de uma vez só, mas “perfurando” e “avançando” através de um sistema corrupto, líderes possam estabelecer bases de governos mais límpidos e justos de forma que a corrupção se reduza gradualmente através dos anos (como aconteceu na Europa no século retrasado, por exemplo). Sou contra a corrupção, mas também acredito que ela advém de um péssimo e insistente traço histórico e cultural em nosso país. No entanto, conclamo todos a rejeitarem-na veementemente, mas não apenas no outro ou nos políticos no poder, mas a cada instante, mesmo em pequenos gestos de nossas vidas diárias, nas filas, no trânsito (inclusive ao ser parado na blitz), em casa ou de férias, nas oportunidades de crescimento profissional ou pessoal, quando se aparece na TV ou anonimamente, ao postar um comentário na Internet, onde se requer honestidade, rigor e isenção, ou ausência de corrupção.

E voltando ao tópico, para concluir, gostaria de encorajar as pessoas a se expressarem livremente, pois isso é permitido neste país. Que demonstrem seus desejos e insatisfações. Que denunciem a injustiça e proclamem as boas-novas. Que usem sua indignação para conquistar a felicidade e o bem-comum. Mas, principalmente, convido todos para se dedicarem à educação libertadora, à informação consistente; a investigar as verdades ligeiras e absolutas e averiguar seus motivos; a checar as manchetes estabanadas; a questionar os propagadores da histeria, criadores do pânico moral e fomentadores da caça às bruxas. Estalemos os dedos e não nos deixemos transformar em Alices atormentadas por um mundo Macarthista louco e sem nexo, querendo nos recolonizar, nos fazer sentir incapazes e inferiores, e tentando nos convencer que o bom está fora de nós, em uma distante e elusiva metrópole da qual só somos convidados eventuais; fantoches boquiabertos, semi-informados e alienados.



Luc Antunes
http://caldeiraodoluc.blogspot.com

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Restam apenas duas capas de Veja. Às favas o manual de redação




Redação, Carta Maior

“A coalizão demotucana e seu dispositivo midiático atiram-se com sofreguidão em qualquer 'língua negra' que desponte no solo ressequido da semeadura eleitoral demotucanao.

Como tem anunciado todos os seus colunistas de forma mais ou menos desabrida, às vezes escancarada, a exemplo de Fernando Rodrigues, da Folha, há uma 'encomenda' em licitação aberta no mercada de compras do denuncismo lacerdista: "...é necessário um escândalo de octanagem altíssima (com fotos e vídeos de dinheiro) ...', especificou o jornalista em seu blog do dia 14-09. Na ausencia de oferta equivalente, usa-se por enquanto o que aparecer.

Apareceu um 'empresário' indignado com supostas práticas de lobby, segundo ele, encasteladas na engrenagem da Casa Civil do governo, comandada pela agora ex-ministra Erenice Guerra. A Folha elevou-o à condição de paladino da honestidade. Esponjou-se no material pegajoso derramado da obscura tubulação. Claro, há o Manual de Redação, sobretudo as aparências de uma redação. Muito lateralmente, então, informa-se na 'reportagem-derruba Dilma' que a fonte da indignação cívica que adiciona um novo tempero à mesmice do cardápio diário apregoado pelos Frias inclui em sua folha corrida o envolvimento comprovado com roubo de carga, falsificação de 'notas de cinquenta reais e crime de coação, não detalhado.

Há pouco tempo e espaço para detalhes. Faltam 15 dias apenas para o pleito e o próprio instituto de pesquisas do jornal agora dá vantagem de 24 pontos para Dilma sobre Serra. Nem o mínimo cuidado com a averiguação de valores se observa.O escroque que já cumpriu pena de 10 meses de cadeia, lambuzou a Folha com cifras suculentas e isso era o bastante: a negociata envolveria a 'facilitação' para um empréstimo de R$ 9 bilhões junto ao BNDES , desde que em contrapartida fossem desviados quase R$ 5 milhões a intermediários de uma cadeia supostamente iniciada com parentes ou subalternos da ministra Erenice Guerra para desembocar em caixas de campanha de candidatos do governo. Se a sofreguidão da Folha fosse menor, o jornalista, quem sabe seu editor, quiça o próprio diretor do jornal teriam tido a cautela de verificar a existência no BNDES de projeto e valores mencionados, já que o acepipe oferecido pelo ladrão de carga de tempero remetia à liberação de financiamento barrado na instituição.

Se tal fosse a prática, o leitor teria a oportunidade de saber, em primeiro lugar, que os valores relatados nunca existiram e que o referido empreendimento jamais passaria pelo crivo técnico do BNDES. Diz a nota do banco divulgada 5º feira,"[o referido projeto]...foi encaminhado por meio de carta-consulta, solicitando R$ 2,25 bilhões (e não R$ 9 bilhões como afirma a reportagem) para a construção de um parque de energia solar.

O BNDES considerou que o montante solicitado era incompatível com o porte da referida empresa. Vetou a solicitação. Naturalmente, isso comprometeria um pouco a 'octanagem' da manchete de seis colunas com duas linhas bombásticas saídas da sinergia estabelecida entre a Folha e um ladrão de carga de condimento. Não há tempo para minúcias. Restam apenas duas capas de VEJA para detonar a vantagem de Dilma e tentar uma sobrevida que leve Serra ao 2º turno.

    



Essa é a lógica do que vem por aí. A esposa do candidato, Monica Serra, já diz em campanha de rua que "ela [Dilma] quer matar as criancinhas". Nas redações circulam rumores de que o comando demotucano estaria interessado em depoimentos de parentes de militares mortos em confrontos com grupos da esquerda armada, nos anos 70. Em especial se houver, ao menos, leve insinuação de suposto comprometimento de Dilma Rousseff.”

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Marco Aurélio Garcia: O triste fim de um discurso diplomático


sex, 10/09/2010 – 07:24

por Marco Aurélio Garcia, no blog do Nassif

Não é fácil poder dar, em um período relativamente curto, duas entrevistas às páginas amarelas da revista Veja. É preciso estar muito afinado com o conservadorismo raivoso dessa publicação para merecer tal distinção.

Sei disso por experiência própria. Há muitos anos, um colunista-fujão de Veja dedicou-me um artigo cheio de acusações e insultos. Ingenuamente, enviei minha resposta a esta publicação, que se proclama paladina da liberdade de expressão. Meu texto não foi publicado e, para minha surpresa, li uma semana mais tarde uma resposta à minha resposta não publicada.

O embaixador-aposentado Roberto Abdenur teve mais sorte que eu. Emplacou uma segunda entrevista à Veja, talvez para retificar o tiro da primeira que concedeu (7 de fevereiro de 2007). Ou quem sabe para “compensar” o excelente depoimento do Presidente Juan Manuel Santos, na semana anterior, que não sucumbiu às tentativas da revista de opor o Brasil à Colômbia na América do Sul. Em sua primeira entrevista o diplomata destilava ressentimento contra o Ministro Celso Amorim que, num passado distante, o havia convidado para ser Secretário-Geral do Itamaraty e, mais recentemente, o havia enviado para uma de nossas mais importantes embaixadas – a de Washington. Abdenur preservava, no entanto, a política externa brasileira e, sobretudo, o Presidente Lula, que o havia designado como seu representante nos Estados Unidos. 


Agora, tudo mudou. A crítica é global e dela não escapa nem mesmo o Presidente da República. Em matéria de política externa Lula não passa de um “palanqueiro”, a quem o Itamaraty “não sabe dizer não”. Faltando à verdade, o intrépito embaixador diz que nosso Presidente “começou a bater em Obama antes de eleito e não cansa de dar canelada no americano”. Abdenur desconhece, ou finge desconhecer, as inúmeras manifestações de simpatia – e de esperança – que a eleição do atual Presidente norte-americano provocou em seu colega brasileiro. Ao invés disso, o ex-embaixador escorrega em rasteiro psicologismo ao detectar no Presidente Lula “um elemento de ciúme” em relação a Obama, pois este último lhe teria subtraído “a posição privilegiada no palanque global”…

Abdenur fez vinte anos de sua carreira diplomática durante o regime militar e não sofreu nenhum constrangimento. Até aí tudo bem. Muitos outros de seus contemporâneos tampouco foram perseguidos. Mas essa experiência profissional não lhe autoriza fazer analogias entre a política externa atual e aquela levada adiante nos primeiros anos da ditadura, quando chanceleres proclamavam que o que “é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil” ou patrocinavam o envio de tropas brasileiras para esmagar as mobilizações populares na República Dominicana.

É claro que aquelas inflexões da política externa brasileira foram tomadas por “razões ideológicas” (de direita). Mas a pergunta que não quer calar é: quando não temos motivações ideológicas na política, em particular na política externa?

Durante o Governo Geisel, quando Abdenur integrou o grupo dos “barbudinhos” do Itamaraty, foram resgatados princípios da Política Externa Independente de Santiago Dantas, Afonso Arinos e Araújo Castro, apresentados para a ocasião sob a eufemística denominação de “pragmatismo responsável”. Mas aquela política – que tinha conteúdos progressistas, diga-se de passagem – também era expressão do projeto autoritário de “Brasil Potência” propugnado pelos militares. Tanto ela, como a Política Externa Independente do período Goulart-Jânio, tinham fortes componentes “ideológicos”, como é normal em qualquer sociedade, democrática ou não.

É igualmente “ideológica” a reivindicação do ex-embaixador de que nossa diplomacia se alimente de “valores ocidentais”. Mais do que ideológica, é ultrapassada e perigosa.

Ultrapassada, pois traz à memória os tempos da “guerra fria”, quando se falava em “civilização ocidental e cristã” para esconder propósito profundamente conservadores.

Perigosa porque traz à tona e legitima a idéia de choque de civilizações (entre “oriente” e “ocidente”) que os neo-conservadores têm defendido com tanta insistência nos últimos anos para justificar suas aventuras belicistas, queima de livros ou interdição de templos religiosos.

O ex-embaixador se alinha com as críticas da oposição brasileira contra a política externa atual. Seletivamente, ataca nosso bom relacionamento com Venezuela, Bolívia e Equador, supostamente motivado por afinidades ideológicas, esquecendo-se de mencionar nosso igualmente bom relacionamento com Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Motivado por que?

Escondendo-se detrás de “boa fonte boliviana bem informada”, desconhece ou deliberadamente omite, a cooperação militar e policial que se desenvolve com a Bolívia e com outros países para fazer frente ao flagelo do narcotráfico na região.

É próprio do pensamento conservador tentar apropriar-se de valores universais para encobrir interesses particulares – de classe, estamento, grupo ou etnia. A história do Brasil está cheia de exemplos. Nosso liberalismo conviveu alegremente com a escravidão. Nossa República proclamou retoricamente, durante décadas, a cidadania plena e praticou a mais brutal exclusão econômica, social e política. Tudo isso à sombra o Iluminismo, dos ideais da Renascença, do Humanismo ou da Revolução Americana que o embaixador invoca em seu vago projeto diplomático.

O Presidente Lula, assim como quase todos governantes, manteve e mantém relações com Chefes de Estado e de Governo dos mais distintos países: de democráticos, de regimes teocráticos, de partido único ou de responsáveis por graves violações de direitos humanos em nível local ou global. Não será difícil encontrar os nomes dos países na tipologia antes aludida.

Esses relacionamentos não se devem a idiossincrasias presidenciais como, de forma desrespeitosa, pretende Abdenur. Eles se inserem no difícil esforço de construção de um mundo multilateral e, sobretudo, de um mundo de paz.

São muitos os caminhos para atingir esse objetivo. Vão do uso da força militar ao emprego das sanções que golpeiam mais ao povo do que aos governantes dos países atingidos. Mas há também o caminho da negociação, da diplomacia que não renuncia valores, mas que não faz deles biombo por traz do qual se ocultam inconfessáveis opções políticas e ideológicas, particularmente quando a sociedade brasileira é chamada a decidir seus destinos pelos próximos quatro anos.

P.S.: há algum tempo a imprensa noticiou que Roberto Abdenur estava dando cursos de política externa para os Democratas (ex-PFL). Não acreditei. Agora passei a acreditar.
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Comentário meu:
Grande Tenho avaliado a postura da politica internacional do brasil nos últimos 7 anos e acredito que foi um ótimo caminho tomado, para falar de uma maneira bem clara como comparações assim como faz o Lula, deixamos de priorizar o atacado e abrimos o mercado do varejo, o brasil possui representações diplomáticas em 125 países em todos os continentes do mundo. Atualmente o Brasil tem intensificado suas relações com a China, Rússia, Índia e outros países em desenvolvimento abrindo oportunidades de negócios, sempre  se apresentado como um bom parceiro comercial e social, tipo aquele cara que você leva para jantar em casa.
Tai, se for para destacar alguém no Itamaraty é o Celso Amorim, me sinto muito bem representado por ele que fez um verdadeiro trabalho de relações publicas vendendo o brasil como um pais serio e falando no mesmo tom que todos os grandes e sendo ouvido e respeitado, porque já somos uma potencia pelo olhar deles americanos e europeus e o maior exemplo disto e que mostramos eficiência e os convencemos somos capazes de realizar dois dos maiores eventos do mundo globalizado um depois do outro, copa do mundo e olimpíadas.
Tudo isto sobre a batuta de nosso presidente apedeuta de quatro falanges, espero que a Dilma continue por este caminho que o brasil atualmente não descrimina ninguém no âmbito internacional (somente o josé serra que não quer ter como vizinhos Bolivarianos) tem bom relacionamento com todos.
E depois ainda perguntam, 
porque falam que o Lula é o cara.
  
Denilson Bramusse

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Mas ela não foi mal?

Sírio Possenti
De Campinas (SP)

Para Sírio Possenti, não é só o apoio de Lula que fez Dilma crescer (foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação)

Não vou opinar sobre opções políticas, embora minha posição talvez fique implícita. Vou apenas comentar previsões e a falta de coerência de um discurso. Um, dois, três!
Tenho memória ruim para detalhes e boa para generalidades - sou o contrário de Funes, aquela personagem de Borges. Para fazer bonito, eu precisaria guardar dados para ocasiões futuras, apostar que recortes seriam úteis um dia, acreditar piamente nisso, e arquivar, arquivar. E encontrar na hora certa, claro.
Periodicamente, quando leio nos jornais as avaliações que políticos fazem de seus adversários, tenho a impressão de ter ouvido o contrário pouco tempo antes. Vou fazer um exercício de memória (pouca e talvez falha), correndo todos os riscos que isso implica.
Começo pelo dia 14 de agosto de 2010 (de fato, pela véspera, com as notícias em portais e na TV). A questão são os números da pesquisa Datafolha, que mostrou Dilma 8 pontos à frente de Serra. Um resultado aparentemente inesperado, pelo menos para quem acredita apenas no Datafolha, porque todos os outros institutos vêm dizendo isso há algum tempo. Tucanos acreditavam no Datafolha e estranhavam os resultados dos outros institutos (um chegou a ser quase processado, salvo engano), enquanto todos os outros políticos acreditavam nos outros institutos e tentavam entender o que estaria havendo com o Datafolha.
Mas não é esse meu assunto, e sim a explicação que alguns teriam dado (que supostos políticos supostamente teriam dado, segundo virou moda dizer) para os números. Cito um caso exemplar, até porque a análise pode revelar-se correta.
As manchetes de sexta e de sábado dizem que tucanos culpam o JN pela dianteira de Dilma. Considerando só a manchete, eu me perguntava: "como assim, se eles cansaram de dizer que Dilma foi mal na entrevista?".
A explicação vinha depois, e é bem sofisticada. Dilma foi entrevistada no JN na segunda, Marina na terça, Serra na quarta. A pesquisa foi feita na terça, na quarta e na quinta. Assim, os que responderam aos questionários na terça e na quarta não ouviram a entrevista do Serra, que foi na quinta. Mas todos ouviram Dilma e metade ouviu também Marina.
Achei a suposição sofisticada. Claro que temos que esperar outros dados para ver se a hipótese se confirma. O núcleo é o seguinte: quanto mais os eleitores ouvirem Serra, mais decidirão votar nele. Outra hipótese, que acompanha a anterior, é: mas, se ouvirem Dilma e não ouvirem Serra, é claro que preferirão Dilma.
Tudo estaria adequado, tudo pareceria lógico ou coerente, se não fossem duas afirmações constantemente repetidas nos últimos dois anos. (a) Dilma não tem o que dizer, ou, se tem, o diz de tal maneira que, abrindo a boca, perde votos - sua fala é burocrática etc.; (b): como ela não tem nada a dizer nem a oferecer, sua (possível) força vem exclusivamente de Lula.
Ora, Dilma foi ao debate da Band e às bancadas da Globo sozinha (isto é, sem Lula, com quem esteve em muitos eventos antes e mesmo assim seus índices não subiam). Assim, pela tese tucana, exposta pelos políticos tucanos (especialmente Juthay Magalhães e Sérgio Guerra) por quase todos os colunistas, diga-se de passagem, que, obviamente, são neutros e objetivos (!!), Dilma deveria ter perdido potenciais eleitores pelo simples fato de aparecer sozinha e falar como fala. Mas agora eles dizem que ela ganhou potenciais eleitores fazendo exatamente o que, segundo eles, deveria fazer com que os perdesse.
Tem mais: minha memória genérica me faz lembrar de que, durante um bom tempo, também se disse que nem Lula seria capaz de fazer a aceitação de Dilma crescer (e depois,m que ela crescia à sombra dele).
Um resumo da história das declarações, se os leitores lembram, é: Dilma foi inventada, veio do nada, caiu do céu, foi tirada do bolso do colete; nem Lula consegue fazer que ela suba nas pesquisas; só sobe nas pesquisas encostada em Lula; se ela fala e Serra não, é claro que leva vantagem.
Como se vê, o discurso muda muito. Baumam talvez dissesse que é líquido.
***
Segunda-feira à noite (16/8): pesquisa do Ibope põe Dilma 11 pontos à frente de Serra. A pesquisa foi feita depois da do Datafolha, portanto, depois que todos os candidatos foram vistos e ouvidos. Os dados mostram curvas opostas: Dilma sobe, Serra desce. Está acontecendo o contrário do que os tucanos diziam: quanto mais Dilma aparece sozinha, mais ela sobe. Quanto mais Serra fala, mais ele cai. Não sei explicar esses dados. Só quero assinalar a enorme falta de coerência e a brutal incapacidade de análise da oposição. Pelo menos até agora.
***
Quando Dilma fala, eu me pergunto por que aquelas pausas (eventualmente, me lembro de outras pessoas cuja performance é semelhante; o Merval Pereira, por exemplo...). Quando ouço Marina, o que me vem à cabeça é que esperava mais "novidades" - mas não sei se deveria. Quando ouço Serra perguntar se Dilma já distribuiu remédios, francamente, desanimo dos candidatos "preparados". E quando ele ameaça colocar dois professores em todas as salas de aula do Brasil, então eu praticamente decido meu voto. Pelo menos minha principal opção de rejeição.
***
Nem vou comentar a pesquisa Vox Populi de terça-feira, segundo a qual Dilma está 16 pontos à frente de Serra. Mas foi na véspera do início da campanha eleitoral por rádio e TV. Agora é pra valer. Veremos quem fez as melhores previsões.

Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Os Anos Lula e as mentiras que pareciam verdades



Nos últimos oito anos vivemos mudanças profundas em nossa forma de entender o Brasil. Passamos a refletir sobre o que é realmente e para que serve o governo federal e o que significa o exercício da presidência da República. Vivemos novos aprendizados que merecem ser destacados.

Washington Araújo

Os anos Lula serão registrados nos livros de história do Brasil como aquele período em que o país investiu na criação de uma cultura de aprendizagem. O período republicano começado em 1º janeiro de 2003 e prestes a findar em 1º de janeiro de 2011 testemunhou mudanças profundas em nossa forma de entender o Brasil. Passamos a refletir sobre o que é realmente e para que serve o governo federal, o que significa o exercício da presidência da República e também o que quer dizer viver em uma época em que um país cindido teve sua maior confluência, unindo de maneira indivisível o Brasil-Índia com o Brasil-Bélgica. Vivemos novos aprendizados. E destes, compartilho alguns que podem ser aferidos a olho nu. Vejamos:

Aprendemos ao longo do tempo que exercer qualquer cargo na administração pública exigia, no mínimo, certo estofo intelectual, diploma de curso superior na parede, apenas para começo de conversa. Lula tem estofo intelectual, mas não aquele certificado pelo diploma na parede. Na verdade no dia 2 de janeiro de 2003 tinha apenas dois diplomas: o de torneiro mecânico certificado pelo Senac e o de Presidente da República certificado pelo Congresso Nacional Brasileiro.

Aprendemos que nenhuma autoridade guindada pelo voto popular ao posto máximo do país – a Presidência da República – conseguiria sobreviver muito tempo como força política se não contasse com o beneplácito dos formadores de opinião, dos luminares da academia e da classe artística, dos colunistas de plantão nas revistas e jornais de maior tiragem diária e semanal. Lula contrariou isso. É denunciado sistematicamente como embuste pelo príncipe dos sociólogos Fernando Henrique Cardoso, é visto como quem infunde terror à ex-namoradinha do Brasil Regina Duarte, é desancado de forma grosseira por Caetano Veloso, é satanizado semanalmente por colunistas da revista Veja e está bastante longe de contar com o olhar benevolente da Rede Globo de Televisão.

Aprendemos que, com o mundo se tornando aldeia global, e o processo de globalização galopando livre, leve e solto nos campos da iniciativa privada e do neoliberalismo, saber ao menos a língua inglesa seria meio caminho andado para o sucesso. Lula não pode dispensar o tradutor em qualquer conversa com não-nacionais. E seu tradutor não pode ser qualquer um: tem que entender e falar inglês, francês, espanhol, russo, farsi, alemão, italiano, japonês e árabe.

Aprendemos que, havendo a imprensa ocupado o chamado Quarto Poder desde meados do século 19, ninguém poderia ser eleito para cargo público de relevo se não contasse de antemão com o apoio dos mais expressivos e influentes órgãos da imprensa. Lula contrariou essa tese, sempre se elegeu... apesar da imprensa e, em especial, da grande imprensa.

Aprendemos que para bem governar o Presidente deve passar a mão na cabeça da imprensa três vezes ao dia: ao amanhecer, ao meio-dia e ao anoitecer. Do contrário é preparar os nervos para resistir ao milionésimo ataque da fera ao seu governo. Do contrário a imprensa estaria sempre emparedada no círculo vicioso que vitimou do ex-ministro da economia Rubens Ricupero, aquele do indiscreto bordão “o que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”. É oportuno resgatar entrevista à Folha de S. Paulo, de 22/10/2009, em que Lula afirmou: “Eu não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. É informar. (...) Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas... a única coisa que peço a Deus é que a imprensa informe da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas apenas em seus editoriais”. Exatamente uma semana depois (29/10/2009), discursando em São Paulo para uma plateia formada por catadores de materiais recicláveis, o mesmo Lula criticou o trabalho da imprensa, o que levou o público, estimado em cerca de 3.000 pessoas, a vaiar o grupo de jornalistas que acompanhava o seu discurso.

Naquela ocasião o presidente recomendou que os repórteres não interpretassem para dizer em seguida que “os formadores de opinião já não decidem mais (...) porque o povo não quer mais intermediário. Hoje vocês têm a oportunidade de fazer a matéria da vida de vocês. Se vocês esquecerem a pauta do editor de vocês e se embrenharem no meio dessa gente (...) aproveitem para conversar sobre a vida deles (...) Publiquem apenas o que eles falarem. Não tentem interpretar". Lula, ao receber o prêmio de Brasileiro do Ano da revista IstoÉ, na noite de 7/12/2009, afirmou em discurso de agradecimento que “teria vontade de "se suicidar" se olhasse as manchetes da imprensa...”


Aprendemos que, para um Presidente abordar temas internacionais em geral, política mundial, economia planetária, contatos com Chefes de Estados, relações com as Nações Unidas etc é exigido que este detenha profundo conhecimento de cada tema, expertise diplomática tarimbada por muitos anos no ora carcomido circuito Helena Rubinstein (Londres, Paris, Roma, Washington, Nova York, Moscou e Tóquio) e considerável jogo de cintura para não queimar o filme do país. É fato que, não obstante protestos generalizados, Lula trouxe ao Brasil o controvertido presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad e antes deste chegar a Brasília, também estendeu boas-vindas em solo nacional ao não menos polêmicos presidente israelense Shimon Perez e ao chefe da Autoridade Palestina Mahmud Abbas.

Aprendemos que para o país ficar bem na foto teria que se alinhar automaticamente com políticas e agendas formuladas por países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e o Japão. Lula mudou os figurantes da fotografia. Além de manter boas relações com estas quatro potências, trouxe para seu lado a Venezuela de Hugo Chávez, a Bolívia de Evo Morales, Cuba dos irmãos Castro, e ainda conseguiu liderar com folga os chamados BRICs, que inclui na foto emergentes continentais como China, Índia e Rússia.

Aprendemos que para termos uma economia sólida, funcional e confiável é necessário que o papel do Estado seja mínimo e que o Deus-mercado tem que permanecer intocável, como Zeus em seu ilusório Olimpo. Aprendemos também que política pública que se preze não pode desconsiderar os efeitos benéficos que advêm com as privatizações. Lula contrariou mais este cânone. Ante a crise econômica mundial que se avizinhava partiu pra cima com o discurso que para o Brasil tratava-se de uma “marolinha” e que a crise fora feita “por gente branca, de olhos azuis”. Chamou o FMI e o Banco Mundial aos carretéis e denunciou a jogatina em que se transformara a economia mundial. Não privatizou e vociferou contra algumas desastradas privatizações do passado recente: Sistema Telebrás, Companhia Vale do Rio Doce, Companhia Siderúrgica Nacional etc.

Aprendemos que Presidente da República, Chefe de Estado, não pode descuidar da liturgia que o cargo impõe. Lula mexeu muito com isso. Na maioria dos discursos menciona termos e chavões do futebol, simplifica teorias econômicas com o uso de metáforas futebolísticas, de conversa de compadres. E coloca boné do MST, veste camisa do Corinthians, coloca cocar de índio Kiriri na cabeça, vibra como torcedor apaixonado e sem medo de ser feliz pula, chora, grita e abraça quem está por perto como fez, quando em Copenhague, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016. É a antiliturgia do cargo em ação. É o presidente-mascate a vender produtos brasileiros no exterior. Apenas com a visita do intolerante Ahmadinejad foram firmados 63 acordos internacionais e as exportações brasileiras para o Irã saltarão de US$ 1,2 bilhão para US$ 10,8 bi ao ano.

Aprendemos que presidente da República tem que estar sempre medindo forças com a oposição, demarcando seu território, viabilizando seu governo. Lula inverteu essa lógica. Troca figurinhas com Aécio Neves e com José Serra, demonstra apreço por sua ex-ministra Marina Silva, não responde a Fernando Henrique Cardoso quando este se põe a remoer a inveja com tantas das vitórias do “despreparado” petista. Lula consegue manter, lado a lado, na defesa de seu governo políticos antípodas como Jacques Wagner e Geddel Vieira Lima, José Sarney e Michel Temer, Fernando Collor e Renan Calheiros, Ana Julia Carepa e Jader Barbalho, Sérgio Cabral e o casal Garotinho. Mesmo fazendo essa exótica e bem-sucedida engenharia política Lula não pode nos apresentar qualquer diploma de conclusão de curso de ciência política, de história das instituições políticas brasileiras, de sociologia política. Em matéria de ostentação de diplomas acadêmicos é nada mais que um rotundo fracasso.


Aprendemos que para ser um bom Presidente da República há que se fiar muito na competência e na formação adquirida ao longo da vida. Há que confiar muito na experiência e tarimba conseguidas através do exercício de cargos executivos, de preferência, começando como prefeito, passando a governador e de lá a presidente. Se no meio tempo tiver sido deputado estadual, senador... ainda melhor. Pois bem, Lula contrariou tudo isso. Nunca foi prefeito e muito menos governador. Só foi eleito para a Câmara dos Deputados. E como Deputado Federal causou estupefação com aquela famosa frase depois adotada pela MPB: “o Congresso Nacional abriga 300 picaretas”. Sua competência só podia ser mensurada pela passagem na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Em ambiente tão improvável ele criou um partido político, formou lideranças populares, liderou conglomerado de siglas partidárias, perdeu três eleições para Presidente (1989/1994/1998) e se elegeu presidente duas vezes (2002/2006). Lula provou que ter sorte é mais que mero acaso.

Em seu governo viu a autosuficiência do país em petróleo; descobriu extensas reservas do ouro negro no Pré-Sal; trouxe para o Brasil a Copa do Mundo de Futebol 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016; autorizou o Tesouro Nacional a emprestar US$ 10 bi ao FMI; criou e gerenciou o maior programa mundial de distribuição de renda – o Bolsa-Família; está colocando uma pá de cal sobre a indústria da Seca que mantinha os Estados nordestinos à mercê dos coronéis com o avanço das obras de transposição do rio São Francisco.

Em meio a tudo isso, há menos de 48 horas, Lula pode deitar a cabeça no travesseiro com a notícia da Pesquisa Ibope dando conta que era bem avaliado por estupendos 78% da população brasileira. Sui generis. Esse novo recorde é certificado por nada menos que o Instituto de Pesquisa Datafolha, do jornal Folha de S.Paulo. Nesta pesquisa, 17% consideram seu governo “regular” e apenas 4% consideraram o governo “ruim/pésssimo”.

Faço o destaque porque parece ser recorrente que os números do Datafolha, ao menos nesta eleição presidencial 2010 tendem a sistematicamente contrariar os resultados de seus congêneres Ibope, Sensus e Vox Populi. Curiosamente os congêneres são contrariados porque vêm apresentando o crescimento “sustentado” da candidata governista e o refluir de votos do candidato oposicionista, nestes últimos Institutos a taxa de rejeição da candidata reflui e a do candidato oposicionista aumenta e assim por diante. Não precisamos ser futurólogos para perceber que três institutos de pesquisas mostrarão nas próximas semanas números robustos dando conta da transferência da popularidade presidencial para sua candidata. E, no encalço destas, saberemos que o contraponto ficará por conta do Datafolha, diminuindo a “transferência”, invertendo as inflexões das curvas estatísticas... até que, cansados, oferecerão um vistoso cavalo-de-pau que, como meio de arrumação matemática, conformarão seus números com os demais. Uma coisa é certa: seja quem for eleito em 3 de outubro de 2010 para governar o Brasil a academia deverá dedicar seus esforços para entender os misteriosos mecanismos que regem alguns de nossos institutos de opinião pública.

A trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva é em si mesma, um vigoroso libelo contra algumas mentiras que parecem verdades. Lula é o brasileiro que mais vezes se candidatou à presidência da República do Brasil, sendo candidato a presidente cinco vezes. Curioso constatar que em 2006 ultrapassou Rui Barbosa, que se candidatou quatro vezes. Pois bem, de tanto ouvirmos as mentiras chegamos a pensar que eram verdades. E assim, gerações após geração de brasileiros descobriram outro Brasil possível. Aprendemos a ver sentido na expressão “nunca antes na história deste país” porque Lula vestiu estas palavras com novos significados. Queiramos ou não foi o que aconteceu.


Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela
UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,
Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org
Email - wlaraujo9@gmail.com

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Presidente Lula abre espaços na África

O presidente Lula bate na tecla de que a cooperação entre a África e o Brasil é particularmente positiva para o continente africano, porque tal relação se dá sobre uma base de solidariedade.

É com esse caráter que o Brasil procura se diferenciar do que já é oferecido pelos países desenvolvidos e até mesmo países emergentes, como a China.

Os chineses são de longe os que alimentam relações comerciais mais intensas com a África. O comércio entre a China e os países africanos já supera US$ 100 bilhões, cerca de quatro vezes mais que o Brasil.

A seu favor, o governo brasileiro cita um crescimento estelar nos últimos sete anos – os da era Lula. Entre 2002, início do governo, e 2009, o comércio saltou de US$ 6 bilhões para US$ 24 bilhões entre o Brasil e o continente.

Em particular com o grupo de 15 países do oeste africano, o comércio foi de US$ 1,8 bilhão para US$ 6,8 bilhões no mesmo período.

Além do quê, em várias ocasiões porta-vozes dos países africanos expressaram sua indignação com o fato de a China investir em projetos no continente, mas importar a mão-de-obra requerida para os empreendimentos – anulando assim um dos benefícios mais evidentes do investimento externo, a criação de empregos.

Já o Brasil, como lembrou o presidente, está criando na cidade de Redenção, no Ceará, uma universidade para 10 mil alunos – 5 mil brasileiros e 5 mil africanos – que deverá capacitar jovens africanos com o objetivo de que eles voltem para o continente e engrossem "os quadros de que a África tanto precisa" para se desenvolver.

O presidente também citou parcerias na área agrícola, incluindo 35 projetos que o escritório da Embrapa, a agência agrícola brasileira, desenvolve em 16 países africanos, totalizando US$ 10 milhões.

O representante regional da Embrapa em Acra, Gana, Leovegildo Lopes de Matos, disse à BBC Brasil que a transposição de experiências do Brasil para a savana africana "mudará a forma como os países africanos veem a cooperação agrícola".

As parcerias neste setor inauguraram o que o governo brasileiro já chama de "diplomacia sul-sul-norte", na qual recursos de países desenvolvidos alimentam as iniciativas acertadas entre países em desenvolvimento.

Ao falar durante o encontro entre o Brasil e os países africanos, o presidente da comissão executiva da CEDEAO, James Victor Gbeho, disse que as parcerias com o Brasil são "sem precedentes".

"Entretanto, o relacionamento não pode ser apenas sentimental", afirmou. "Desejamos uma relação dinâmica que melhore os padrões de vida de nossos povos." (Da BBC Brasil)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Não podemos abrir mão de tecnologia.

Presidente da Embraer aposta em licitação da FAB para continuar a crescer no mercado internacional
Mário Simas Filho e Lino Rodrigues


É comum a indústria automobilística incorporar em seus carros produzidos em série as sofisticações encontradas nas máquinas da Fórmula 1. O mesmo vale para a indústria aeronáutica. Tecnologias desenvolvidas inicialmente para a defesa aérea acabam sendo aplicadas à aviação civil, permitindo a construção de modelos cada vez mais aprimorados. Apostando nessa máxima, a Embraer, quarta maior fabricante de aviões do mundo e segunda maior exportadora do Brasil, aguarda o resultado da milionária licitação feita pela Força Aérea Brasileira (FAB) para a compra inicial de 12 caças supersônicos. A disputa é acirrada, e não está em jogo apenas a compra de aviões de guerra. Para uma gigante mundial como a Embraer, a possibilidade de incorporar novas tecnologias representa o próprio futuro. “Tecnologia não se transfere apenas porque se assinou um documento. É preciso, numa ponta, o comprometimento de quem fabrica e, na outra, a capacidade instalada para a absorção dessa tecnologia”, diz Maurício Botelho, presidente da Embraer. Na manhã da terça-feira 2, ele recebeu a reportagem de ISTOÉ e mostrou estar otimista com a possibilidade de vencer a concorrência da FAB. “Sem dúvida, nosso consórcio com os franceses para a fabricação dos Mirage 2000–5BR é o que melhor atende aos interesses do Brasil e da FAB”, afirmou.

O otimismo de Botelho é justificável. Caso vença a disputa, a Embraer e o Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA) terão acesso a todos os sistemas do Mirage 2000–5BR, inclusive seus códigos-fontes, o que permitirá à FAB inteira autonomia e independência sobre o caça e à Embraer a tecnologia necessária para poder continuar inserida no milionário e restrito mercado mundial de aviões. Nem a independência da FAB nem a total transferência tecnológica estão asseguradas nas demais propostas. Os russos, que disputam a licitação com o Sukhoi SU–35 em parceria com a Avibrás, podem até prometer acordos binacionais no setor aeroespacial, mas o avião oferecido por eles exigirá gastos suplementares da FAB para montar bases de apoio em terra, e, além disso, há informações de que a Sukhoi trabalha na finalização de uma parceria com a Boeing para a fabricação de jatos comerciais capazes de transportar de 80 a 120 passageiros, exatamente o mercado que a Embraer conquistou no mundo todo.


Fundada como estatal em 1969, a Embraer nasceu com o objetivo
de ser um pólo de desenvolvimento e de fornecimento de aeronaves
para a Força Aérea. Foi privatizada no final de 1994 e hoje é a
segunda maior exportadora do Brasil. Com sede em São José dos
Campos (SP), a empresa tem subsidiárias nos Estados Unidos, França, Austrália, China e em Cingapura e ostenta em seu currículo a marca de 1,5 mil aviões comerciais voando a serviço de 125 companhias aéreas de 30 países. Aviões de defesa também são exportados para outros 28 países. Além disso, a empresa nacional já está entregando à FAB caças F-5 e supertucanos ALX modernizados. A seguir, os principais trechos da entrevista de Botelho:

ISTOÉ – Para a Embraer, qual a real importância da licitação dos caças supersônicos feita pela FAB?
Maurício Botelho – Olhamos essa licitação de duas maneiras. A primeira é voltada para o País. O Brasil precisa ter uma efetiva capacidade de defesa aérea e isso se faz com caças supersônicos equipados com sistemas de navegação e ataque extremamente sofisticados, que permitem detectar e atacar alvos além de 40 quilômetros. Ora, isso não é feito pelo piloto. A missão é feita pelo conjunto de sistemas que integram o avião. São softwares que interligam os sistemas de detecção dos radares, de navegação do avião e os mecanismos de ataque, que estão nos mísseis. Estamos comprando máquinas de guerra, e para a Força Aérea o mais importante é assegurar a capacidade operacional desse avião e a independência sobre tudo o que faz essa máquina ser eficaz.


Aviões Tucano

ISTOÉ – Por quê?
Botelho – Há restrições estratégicas dos países que fabricam esses equipamentos. O Chile, por exemplo, comprou caças americanos. Obteve licença de importação dos aviões, mas os mísseis ficam estocados nos EUA, que devem ser comunicados com antecedência para liberá-los. Para a FAB isso não interessa.


ISTOÉ – Como a Embraer pode garantir algo diferente?
Botelho – O que oferecemos é muito diferente. Em nossa aliança
para os Mirage 2000–5BR, teremos acesso a todos os sistemas,
inclusive aos códigos-fontes, que nos permitirão colocar e programar mísseis de qualquer procedência nesses aviões. Isso assegura a independência da Força Aérea, além de nos dar toda a tecnologia
para a construção do avião.



ISTOÉ – O sr. falou da importância dessa concorrência para
a FAB. E para a Embraer?

Botelho – Chegamos onde chegamos graças a transferências tecnológicas. O primeiro projeto da Embraer foi o Xavante, produzido sob licença do fabricante italiano. Depois, veio o desenvolvimento do Bandeirante, um avião de transporte para tropas. Depois, o Tucano, um avião para treinamento militar. Veio, então, o Xingu, um avião executivo, o primeiro pressurizado, servindo também à FAB. Essa era a linha. Só crescemos com a efetiva transferência de tecnologia.







ISTOÉ – Como a Embraer se tornou uma gigante mundial?
Botelho – Começou na década de 80 e explica muito bem por que apostamos tanto nessa licitação. Na época veio o projeto AMX. Um caça-bombardeiro a jato desenvolvido em conjunto com empresas italianas. Um avião próprio para missões muito específicas, tecnologicamente muito sofisticado, mas que chegou em um momento comercialmente inviável. Ficou restrito à FAB, à Força Aérea Italiana e recentemente fechamos um contrato de fornecimento para a Venezuela. A partir do AMX, porém, houve uma revolução de engenharia e uma revolução industrial. Passamos a trabalhar com coisas que não trabalhávamos antes.


ISTOÉ – Que coisas?
Botelho – Tecnologia de jato. Dinâmica, estrutural, dos sistemas de controle de vôo, de navegação e de ataque. Uma série de coisas
que não fazíamos antes. Criou-se uma capacitação diferenciada na empresa que permitiu que na década de 90 nos tornássemos um dos líderes no mundo da aviação comercial, com a fabricação de jatos com 40, 50 lugares. A partir daí, estamos desenvolvendo essa família com aviões de 70 a 100 lugares. Se não houvesse o AMX, não teríamos a capacitação que temos hoje.

ISTOÉ – Quando veio o AMX, a Embraer já sabia onde chegaria com aquele projeto?
Botelho – A empresa visava desenvolvimento tecnológico e industrial. Mas não se sabia o que faríamos depois. Isso é assim mesmo. No final do processo, o conhecimento fica e a capacidade está instalada. Depois disso, é sua competência e criatividade que farão a empresa avançar ou não. Nessa área, quando se fala em futuro, tecnologia é um ativo do qual você não pode desistir. De 1995 a 2003, a empresa investiu US$ 1,7 bilhão. US$ 500 milhões foram só para capacitação. Não podemos ficar parados em um mercado global.

ISTOÉ – O mesmo resultado obtido com o AMX pode ser conquistado agora com os caças supersônicos?
Botelho – Sim. Quando se fala nas tecnologias supersônicas, nos conhecimentos que podem derivar da aplicação desse projeto, estamos falando de um valor que não posso abdicar. Essa licitação, para nós, é uma alavanca para o futuro. Com a tecnologia incorporada até agora, a Embraer bateu no teto.

ISTOÉ – Mas o sr. não sabe dizer o que fará exatamente com essa nova tecnologia?
Botelho – Não. Mas sei, por exemplo, que a Dassault já está desenvolvendo projetos para um avião executivo supersônico. A mesma coisa ocorre nos Estados Unidos. O Brasil não pode abrir mão de ser um dos líderes mundiais no mercado de aviões.

Alguns modelos EMBRAER





Frente verde-amarela
A Avibrás e Embraer, ambas empresas nacionais, ganharam um reforço na batalha pela venda dos 12 caças supersônicos para a Força Aérea Brasileira (FAB). Na noite da terça-feira 2, com o apoio formal de 160 deputados e senadores, foi criada a Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Aeronáutica Brasileira. O objetivo é influenciar o governo na escolha dos aviões. A Avibrás disputa em associação com a empresa russa KnAAPO, e a Embraer formou consórcio com a francesa Dassault. Como o Congresso terá que aprovar a compra, a frente defende uma escolha que não se restrinja a aspectos técnicos. “Escolher uma empresa brasileira significa gerar emprego e renda no Brasil, além de o País ter acesso a tecnologias estratégicas”, defende o presidente da Frente, deputado Marcelo Ortiz (PV-SP).

Deputados da Frente lembram que a Embraer já é líder mundial na fabricação de aviões para vôos regionais e pode, a partir dessa licitação, dar um salto para o Primeiro Mundo, passando a competir neste segmento industrial em todos os níveis. Sem dúvida, é um argumento forte em favor da Embraer. A Avibrás, em parceria com os russos, aposta na possibilidade de Brasil e Rússia trabalharem juntos nos programas espaciais dos dois países, desenvolvendo, por exemplo, um novo VLS, de maior porte. Independentemente de quem vença, a composição da Frente mostra que os interesses da indústria aeroespacial brasileira estão mobilizando tanto políticos liberais favoráveis à abertura de mercado, como Delfim Netto (PP-SP) – vice-presidente da Frente –, quanto comunistas nacionalistas, como a deputada Vanessa Graziotin (PCdoB-AM). O principal argumento para o lobby a favor da indústria de aviação verde-amarela é que o Brasil não pode abrir mão de ter acesso a tecnologia de ponta.

Leonel Rocha
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